Insônia
A insônia bateu redundantemente nos olhos As palavras cruzam com roupas de bailarina os corredores E a sala. A insônia com a chave do sono. Abre as portas dos olhos no começo da noite E me segue até às 5 da manhã. Nenhum bocejo Parece mostrar o anúncio De entregar das pálpebras E pensamento. A insônia é só Não se alimenta de fumo cartas resistem nos poemas Poemas não chegam a artilharia de cartas As cartas poderiam assassinar a solidão A solidão de livros E de homens A inócua solidão humana parece perversa e sem cura A solidão ultrapassa a idéia de estar entre gente A mesma solidão de Cristo Ao ver Barbas A solidão e a insônia Desamparo do sono Que às 5 da manhã É igual o do início da noite. Agora, O poema É solidão de palavras A insônia cata nos olhos As melhores bailarinas para Bolshoi
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h16
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A faca
A faca tine no desejo de ser acolhida pela bainha do corpo feminino. A faca quando é virgem anseia o dia de gáudio dia que sentirá a sua lâmina roçar até o fundo da bainha.
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h26
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Renúncia
Estou prestes a me tornar um homicida pois careço sufocar este meu sentimento até a morte mas ele implora para viver com a mesma doçura de uma criança. E eu tocado por uma mgrande humanidade declararei, ainda que desabrigado da verdade, para você e para todos, uma falsa certidão de óbito.
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h25
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Custódia
Não tenho bens,
minhas vestes são estes trapos
que ofendem os teus olhos e nariz.
Outrora, o mais fino linho
cobria de pompa o meu corpo.
Hoje, já não tenho casa
e tampouco uma gota de esperança
para que eu possa ter um bom olfato
e assim sentir o perfume discreto da vida.
E agora nesta lastimável condição de semi-vivo
recebo a custódia
de almas samaritanas
que quitam o meu parcelado e diário boleto
enviado pelo estômago.
E são as almas samaritanas
que me livram do iminente risco de ter a minha lucidez confiscada.
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h24
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Poesia e arte
Se a poesia é a expressão ,
por que brecar o mau poeta ?
Deixe que ele atire sem mira ,
a sua filosofia clandestina
e o verso bebâdo e marginal
Se a poesia é arte definida
é bom excluí-lo do cenário poético
e vigiar para que não cometa
o vertiginoso sacrilégio
de dizer ao público que é poeta .
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h19
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Planta e formiga
A rebelião amarela
Começou quando lia as formigas
E as plantas.
Palatável a vista.
As plantas descortinavam o horizonte
As formigas temiam o céu.
A chuva prometia um dia inteiro
De guerra entre plantas e formigas
Na terceira via o verde e eu.
Assistia a cena
O garboso verde
Vertido num coletivo de planta
O poeta por um singular instante formiga.
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h46
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Fustigação masculina
A sua pele e olhar
Enchem de chuva
A calça dos que a olham
Eles imitam uma catarata
Talvez Foz de Iguaçu ou Niágara
As suas águas correm afoitas
Em minha correnteza.
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h45
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Fração
A palavra no quarto
Sai
Da morada da língua
Pela metade
Com um terço de sentimento
Acha-se em algum lugar inteira
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h44
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Segunda leitura
Os solados cansados
Olham com binóculos a cegueira
A distância causa cegueira
O binóculo cego não vê a distância
A distância escarnece o binóculo
O binóculo é cego,
A distância é cega
Cego é o caminho
Até há um certo tempo caolho.
A cegueira acometeu a palavra
Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h42
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Bacia
O salto no centro da bacia
O aqualouco pensa que pula na piscina
Cai na bacia
Entorta a bacia
Entorta a vida.
Escrito por jean-narciso às 22h28
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Fogo presente
Cortar o fogo pela metade
Dividi-lo entre o teu coração e o meu.
Fatiá-lo um pouco a cada dia
Para que o frio
Jamais consiga entortar
As nossa faces e sentimento.
Escrito por jean-narciso às 14h25
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Monólogo do indolente
A preguiça lambe primeiro o solado do meu calçado
Depois os pés que não resistem à força da sua saliva.
E se prostra no solo do descanso.
A palavra em movimento encontra jardim
O poeta caminha sem um só passo.
Na vereda, no bosque divino
Edificado com terra e areia humana..
A peregrinação sai como um comboio de palavras do sofá
Os olhos acompanham
O corpo fica
A multidão de homens de todas as cores
Fazem parte de apenas uma folha.
O poeta quer falar certo em língua de bêbado
Que o vento da poesia nunca deixe de assoprar em seu rosto
A palavra como um camaleão não tem cor fixa.
Esconde-se em todos os lugares
E às vezes nem está lá quando a imaginamos.
A palavra é ser sem fronteira.
Corpo simultaneamente presente e ausente
Em grande movimento.
Escrito por jean-narciso às 14h04
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QUISIERA SER
de Ester Vallbona
Quisiera ser la nota
que despierta en ti
a la vida
como suave melodía.
Ésa que nace en tu boca
como un beso sin mentiras.
Quisiera ser la palabra que musitas
en tus horas inciertas,
ésa que quema y escapa de tu boca
en el instante en que,
sin saberlo,
me invocas.
Quisiera ser el verso de tu historia de amor,
sentir la emoción de asomarme a tus labios y,
al instante,
pedirte perdón.
Quisiera ser canción para llegarte.
Quisiera ser valor para buscarte.
Quisiera ser memoria y dibujarte.
Quisiera ser mejor y merecerte.
Escrito por jean-narciso às 15h27
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A PROPÓSITO DE UN INSTANTE
de Ester Vallbona
Por un segundo he asistido
al derrumbe inminente de tus ojos,
y te he visto ganarles la batalla.
He visto una lágrima
nacer y morir en un instante,
sin tiempo para quejarse.
La he visto reflejada
en el espejo empañado de tus ojos,
buscando una salida,
y la he visto retroceder,
de nuevo,
vencida.
Has conseguido postergar la pena para más tarde,
guardarla para ti sola,
quizá para protegerme de ella.
Pero es imposible.
No rehúyas el consuelo amigo.
No me niegues la oportunidad de dártelo,
en ese instante,
segundo acaso,
en que me has hecho testigo mudo
de tu melancolía
y he muerto y vuelto a nacer
a la vida
sin tiempo para quejarme.
Escrito por jean-narciso às 15h24
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DÉJAME DECIRTE
de Ester Vallbona
Déjame decirte lo que ayer no supe.
Deja que llene, para siempre, mi carne de calma.
Déjame contarte por qué no pude darles
más que espadas a tus labios
y abrojos a tus manos.
Déjame que llore hoy la dicha perdida,
déjame pasar cuentas con este torpe ser
que habita en mí a escondidas.
Si no te di lo que esperabas,
si no busqué dentro de mí,
fue por temor a que,
detrás de espadas y abrojos, creciera fuerte una flor con tu nombre.
Escrito por jean-narciso às 15h22
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