caderno eletrônico de poesias
   
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A faca

A faca tine no desejo de ser acolhida pela bainha
do corpo feminino.
A faca quando é virgem
anseia o dia de gáudio
dia que sentirá a sua lâmina roçar até o fundo da bainha.



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h26
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Renúncia


Estou prestes a me tornar um homicida
pois careço sufocar este meu sentimento até a morte
mas ele implora para viver
com a mesma doçura de uma criança.
E eu tocado por uma mgrande humanidade
declararei, ainda que desabrigado da verdade,
para você e para todos,
uma falsa certidão de óbito.



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h25
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Custódia


Não tenho bens,
minhas vestes são estes trapos
que ofendem os teus olhos e nariz.
Outrora, o mais fino linho
cobria de pompa o meu corpo.
Hoje, já não tenho casa
e tampouco uma gota de esperança
para que eu possa ter um bom olfato
e assim sentir o perfume discreto da vida.
E agora nesta lastimável condição de semi-vivo
recebo a custódia
de almas samaritanas
que quitam o meu parcelado e diário boleto
enviado pelo estômago.
E são as almas samaritanas
que me livram do iminente risco de ter a minha lucidez confiscada.



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h24
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Poesia e arte

Se a poesia é a expressão ,

por que brecar o mau poeta ?

Deixe que ele atire sem mira ,

a sua filosofia clandestina

e o verso bebâdo e marginal

Se a poesia é arte definida

é bom excluí-lo do cenário poético

e vigiar para que não cometa

o vertiginoso sacrilégio

de dizer ao público que é poeta .



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 10h19
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Planta e formiga

 

A rebelião amarela

Começou quando lia as formigas

E as plantas.

Palatável a vista.

As plantas descortinavam o horizonte

As formigas temiam o céu.

A chuva prometia um dia inteiro

De guerra entre plantas e formigas

Na terceira via o verde e eu.

Assistia a cena

O garboso verde

Vertido num coletivo de planta

O poeta por um singular instante formiga.

 

 



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h46
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Fustigação masculina

 

A sua pele e olhar

Enchem de chuva

A calça dos que a olham

Eles imitam uma catarata

Talvez  Foz de Iguaçu ou  Niágara

As suas águas correm afoitas

Em minha correnteza.

 



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h45
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Fração

 

A palavra no quarto

Sai

Da morada da língua

Pela metade

Com um terço de sentimento

Acha-se em algum lugar inteira



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h44
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Segunda leitura

 

Os solados cansados

Olham com binóculos a cegueira

A distância causa cegueira

O binóculo cego não vê a distância

A distância escarnece o binóculo

O binóculo é cego,

A distância é cega

Cego é o caminho

Até há um certo tempo caolho.

A cegueira acometeu a palavra

 

 



Escrito por Jean Narciso Bispo Moura às 23h42
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